quarta-feira, 23 de maio de 2012
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Ele estava lá sentado, sozinho, na mesa de xadrez da praça. Um senhor de setenta anos. Ameaçava chover mas ele não se importava, estava concentrado na sua batalha solitária, perdido em estratégias e armadilhas contra o seu inimigo invísivel. Quis me aproximar, lhe perguntar porque tamanha solidão, mas não pude, não conseguia. Algo em seu olhar, uma mistura de angustia e determinação, me mantinha longe, apenas observando sua respiração pesada.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Elena
Olho pela varanda o céu estrelado, meu cigarro aceso é minha única companhia e não me espanto em não lembrar que dia é hoje. Faz tempo que perdi o interesse, às vezes me pergunto se ela lembra de mim, eu duvido. Acho até bom que tenha me esquecido, afinal o que ela ia querer com um velho como eu?
Eu sempre soube o nome de cada estrela, cada constelação, mas sempre esquecia de fazer as compras, pagar as contas e em alguns momentos até do seu nome. E ela sofria e não acreditava quando eu dizia que a culpa era da medicação, insistia em jogar meu rum na privada, mas como eu, um velho pirata, vou enfrentar os mares sem o meu rum? Lembro do rosto manchado de lágrimas cada vez que eu irado e, admito, um tanto embriagado só sabia falar palavrão. Mas como sinto falta da minha pequena, da minha morena, minha doce Elena.
Acendo outro cigarro e com o fósforo ainda aceso queimo uma teia de aranha que estava por perto. Os vagalumes me lembram que ainda é verão. Por onde andará minha pequena? Casada? Ainda escrevendo os seus poemas? Levando uma vida plena longe desse velho babão? Me levanto com certa dificuldade, entro na sala coberta por seus retratos e me demoro olhando nosso último, tirado ali mesmo na varanda, ela com um sorriso sincero comemorando que eu tinha largado a bebida mais uma vez. Meus olhos se encheram de lágrimas diante da recordação desse momento e de tantos outros, mas como um vento forte e assustador logo lembro do dia em que ela se foi, chorava desamparadamente e eu, em mais um porre, lhe dizia absurdos, algumas verdades e muitas mentiras.
Corro para buscar um copo de rum, o gosto amargo dessas lembranças precisa ser apagado pelo meu velho companheiro. Penso que se eu morrer ela até vá no meu enterro, e com sua doçura talvez até seja capaz de dizer: "Ele foi um bom pai.".
Eu sempre soube o nome de cada estrela, cada constelação, mas sempre esquecia de fazer as compras, pagar as contas e em alguns momentos até do seu nome. E ela sofria e não acreditava quando eu dizia que a culpa era da medicação, insistia em jogar meu rum na privada, mas como eu, um velho pirata, vou enfrentar os mares sem o meu rum? Lembro do rosto manchado de lágrimas cada vez que eu irado e, admito, um tanto embriagado só sabia falar palavrão. Mas como sinto falta da minha pequena, da minha morena, minha doce Elena.
Acendo outro cigarro e com o fósforo ainda aceso queimo uma teia de aranha que estava por perto. Os vagalumes me lembram que ainda é verão. Por onde andará minha pequena? Casada? Ainda escrevendo os seus poemas? Levando uma vida plena longe desse velho babão? Me levanto com certa dificuldade, entro na sala coberta por seus retratos e me demoro olhando nosso último, tirado ali mesmo na varanda, ela com um sorriso sincero comemorando que eu tinha largado a bebida mais uma vez. Meus olhos se encheram de lágrimas diante da recordação desse momento e de tantos outros, mas como um vento forte e assustador logo lembro do dia em que ela se foi, chorava desamparadamente e eu, em mais um porre, lhe dizia absurdos, algumas verdades e muitas mentiras.
Corro para buscar um copo de rum, o gosto amargo dessas lembranças precisa ser apagado pelo meu velho companheiro. Penso que se eu morrer ela até vá no meu enterro, e com sua doçura talvez até seja capaz de dizer: "Ele foi um bom pai.".
domingo, 15 de abril de 2012
Seus erros
Eu te perdoaria por todos os seus erros de português, por todas as suas manias, pelo seu jeito de falar, de se vestir e até pelas suas traições, que não foram poucas, eu sei. Mas quando olho pro apartamento e lembro dos instantes que você passou aqui, da confiança cega que depositei ao te entregar a chave e o meu coração. Percebo todas as mentiras que você contou ou as omissões quando, até você, sentia vergonha do que tinha feito. Eu jamais poderei te perdoar.
Por mais que ainda te trate bem e admire o brilho no seu olhar ao falar das suas coisas esquisitas, nunca esquecerei o mal que tem deixado meus olhos cheios d'água pela simples lembrança do seu nome. E é isso que me faz encaixotar minhas coisas e entregar a chave a um corretor qualquer, é isso que me faz anunciar o meu apartamento, meu querido apartamento, decorado com tanto cuidado por um preço abaixo do do mercado. Na vã tentativa de apagar da minha memória todo o sofrimento disfarçado de alegria que você me causou. E não é segredo que prometo a quem quiser ouvir que jamais me deixarei levar novamente pelo seu sorriso, porque o seu maior erro foi não notar que eu era uma pessoa de verdade, que tinha um coração.
Por mais que ainda te trate bem e admire o brilho no seu olhar ao falar das suas coisas esquisitas, nunca esquecerei o mal que tem deixado meus olhos cheios d'água pela simples lembrança do seu nome. E é isso que me faz encaixotar minhas coisas e entregar a chave a um corretor qualquer, é isso que me faz anunciar o meu apartamento, meu querido apartamento, decorado com tanto cuidado por um preço abaixo do do mercado. Na vã tentativa de apagar da minha memória todo o sofrimento disfarçado de alegria que você me causou. E não é segredo que prometo a quem quiser ouvir que jamais me deixarei levar novamente pelo seu sorriso, porque o seu maior erro foi não notar que eu era uma pessoa de verdade, que tinha um coração.
sexta-feira, 2 de março de 2012
De onde estou ele não vê que o observo, com seus óculos de grau e roupa formal finge estar prestando a maior atenção a uma notícia qualquer do jornal. Deve ser a décima vez que ele olha o relógio esse minuto, o café que ele pediu descansa já frio sobre a mesa de madeira; estamos em um café qualquer no centro da cidade, pretendia ficar só alguns minutos mas seu jeito inquieto me chamou a atenção e resolvi sentar um pouco afastada para observá-lo.
Não me arrependo pois a cada minuto seu jeito prende mais a minha atenção. Já faz tempo que ele perdeu o ar calmo de executivo bem sucedido, sua postura antes impecável, agora desleixada denuncia sua frustração. Chego a sentir pena, quase me compadeço a levantar e ir ao seu encontro quando vejo um senhor, devia ter uns 80 anos e lembrava um velho italiano boêmio com jum sorriso contagiante, vinha despreocupado com aquele ar de calma que só pessoas que já viveram muito tem. Me surpreendo ao vê-lo sentar com o executivo e com ar de zombaria estragar qualquer chance de discussão, quando pediram mais um café dei a observação por encerrada, pois já não havia mais nada do que havia me chamado a atenção.
Não me arrependo pois a cada minuto seu jeito prende mais a minha atenção. Já faz tempo que ele perdeu o ar calmo de executivo bem sucedido, sua postura antes impecável, agora desleixada denuncia sua frustração. Chego a sentir pena, quase me compadeço a levantar e ir ao seu encontro quando vejo um senhor, devia ter uns 80 anos e lembrava um velho italiano boêmio com jum sorriso contagiante, vinha despreocupado com aquele ar de calma que só pessoas que já viveram muito tem. Me surpreendo ao vê-lo sentar com o executivo e com ar de zombaria estragar qualquer chance de discussão, quando pediram mais um café dei a observação por encerrada, pois já não havia mais nada do que havia me chamado a atenção.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Meu vício, mania...
Conviver com alguém é uma tarefa difícil, todos tem toc's, manias nem sempre fáceis de aguentar e é disso que se trata o primeiro post em conjunto com o Ruiva Não Presta.
Pra quem ainda não sabe eu passei 10 dias com a família da @ruivazyar em Arraial e registro aqui minha reclamação porque sei que eu com certeza tenho mais toc's do que ela, mas enfim a vida Não é um Simples Conto de Fadas nem na hora de escolher o tema do post.

1) Cozinha:
Nós não concordamos em nada, a começar pelo fato dela botar molho de tomate em tudo, até no miojo e por incrível que pareça usar ketchup no macarrão "o que que é isso sociedade?", fora que até agora eu não entendi como alguém pode fazer mousse sem usar ovo, sabe, sem clara em neve não é mousse! Mas até que o macarrão (que ela insistiu em reclamar porque eu não ponho óleo na água) e o bolo de chocolate que fizemos juntas foi aprovado pela casa.
2) Você não quer comer?
De longe essa foi a pergunta que eu mais ouvia, toda hora e Ruiva me oferecia algo pra comer, se oferecia pra fazer alguma coisa e quando eu recusava ainda tinha que ouvir: "você é um passarinhozinho"
3)Cara de bichinho
Era incrível como toda vez que ela parava pra pensar, pra olhar alguma coisa ela sempre fazia cara de bichinho.

4) Foto
Eu acho que já falei aqui que gosto das fotos que a Ruiva tira, já até falei pra ela que se um dia eu casar ela fotografa meu casamento. Mas pra ela TUDO é foto, eu perdi as contas de quantas vezes eu fui alvo dela sem nem perceber. E também de quantas vezes escutei que tal cena daria uma boa foto.

5) O MEU É MAIOR! RÁ!
Existem pessoas competitivas, nossas maiores discussões foram por causa do UNO já que eu sempre ferrava as jogadas dela e ela acabava perdendo. Mas a competição que mais gerou risadas foi quando saímos pra comprar sanduíches, simplesmente porque todos menos ela pediram X-Tudo, ela inventou de pedir um sanduíche chamado Americano e quando o sanduíche veio falou a volta pra casa inteira que o sanduíche dela era maior e devia ser melhor que o nosso. Só que ela (que ama carne) não podia imaginar que o sanduíche não tinha carne. Essa serviu pra aprender que não se compete com o tamanho do sanduíche..
Pra quem ainda não sabe eu passei 10 dias com a família da @ruivazyar em Arraial e registro aqui minha reclamação porque sei que eu com certeza tenho mais toc's do que ela, mas enfim a vida Não é um Simples Conto de Fadas nem na hora de escolher o tema do post.

1) Cozinha:
Nós não concordamos em nada, a começar pelo fato dela botar molho de tomate em tudo, até no miojo e por incrível que pareça usar ketchup no macarrão "o que que é isso sociedade?", fora que até agora eu não entendi como alguém pode fazer mousse sem usar ovo, sabe, sem clara em neve não é mousse! Mas até que o macarrão (que ela insistiu em reclamar porque eu não ponho óleo na água) e o bolo de chocolate que fizemos juntas foi aprovado pela casa.
2) Você não quer comer?
De longe essa foi a pergunta que eu mais ouvia, toda hora e Ruiva me oferecia algo pra comer, se oferecia pra fazer alguma coisa e quando eu recusava ainda tinha que ouvir: "você é um passarinhozinho"
3)Cara de bichinho
Era incrível como toda vez que ela parava pra pensar, pra olhar alguma coisa ela sempre fazia cara de bichinho.

4) Foto
Eu acho que já falei aqui que gosto das fotos que a Ruiva tira, já até falei pra ela que se um dia eu casar ela fotografa meu casamento. Mas pra ela TUDO é foto, eu perdi as contas de quantas vezes eu fui alvo dela sem nem perceber. E também de quantas vezes escutei que tal cena daria uma boa foto.

5) O MEU É MAIOR! RÁ!
Existem pessoas competitivas, nossas maiores discussões foram por causa do UNO já que eu sempre ferrava as jogadas dela e ela acabava perdendo. Mas a competição que mais gerou risadas foi quando saímos pra comprar sanduíches, simplesmente porque todos menos ela pediram X-Tudo, ela inventou de pedir um sanduíche chamado Americano e quando o sanduíche veio falou a volta pra casa inteira que o sanduíche dela era maior e devia ser melhor que o nosso. Só que ela (que ama carne) não podia imaginar que o sanduíche não tinha carne. Essa serviu pra aprender que não se compete com o tamanho do sanduíche..
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
#MusicMonday Carnaval
Pra marcar a volta do #MusicMonday nada mais justo do que postar aqui a singela e diria até um tanto poética música que marcou meu carnaval.
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